A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR NORTE) assinalou esta terça-feira, 13 de outubro, em Bruxelas, os 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO, numa sessão evocativa realizada na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER).
A iniciativa levou ao centro das instituições europeias a celebração de um território de excecional valor universal, cuja paisagem cultural resulta de séculos de interação entre o Homem e a natureza, mas colocou também o olhar no futuro e nos desafios que marcarão as próximas décadas do Douro.
O Presidente da CCDR NORTE, Álvaro Santos, destacou precisamente esta dimensão, sublinhando que celebrar os 25 anos da classificação implica reconhecer o caminho percorrido e a responsabilidade coletiva de gerir e preservar este património, mas também preparar os próximos 25 anos.
“Celebrar esta data é não esquecer o percurso que nos trouxe até aqui e a responsabilidade que temos enquanto gestores deste bem público. Mas, mais importante ainda, é perspetivar o futuro desta região e garantir que os próximos 25 anos sejam tão frutuosos quanto possível, conciliando coesão e competitividade e criando condições para que as pessoas possam continuar a viver, trabalhar e investir no Douro”, afirmou Álvaro Santos.
O Presidente da CCDR NORTE salientou que esta reflexão está já a ser desenvolvida através do Livro Verde do Douro, instrumento orientado para pensar estrategicamente os desafios e as oportunidades do território, e enquadrou este trabalho na preparação do NORTE 2040, que está a projetar as prioridades de desenvolvimento da Região Norte para as próximas décadas.
Entre os grandes desafios está a capacidade de reforçar a competitividade do território sem perder de vista a coesão social e territorial, preservar e valorizar a paisagem cultural, responder às tendências demográficas e criar oportunidades económicas capazes de atrair investimento e fixar população.
Um Douro que ultrapassa fronteiras
A dimensão transfronteiriça do Douro esteve também em evidência com a participação da Vice-Presidente da Junta de Castela e Leão, María Isabel Blanco Llamas, reforçando a importância da cooperação entre Portugal e Espanha na valorização dos territórios ligados pelo Douro.
“O Douro é um território que nos une e que nos desafia a trabalhar em conjunto. A cooperação entre Castela e Leão e o Norte de Portugal é fundamental para valorizar este património comum, criar oportunidades para as nossas populações e construir um futuro mais sustentável para os territórios dos dois lados da fronteira”, destacou María Isabel Blanco Llamas.
O Presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro, João Gonçalves, chamou igualmente a atenção para os desafios que o território enfrenta, nomeadamente a necessidade de reforçar a sua capacidade de atração e criar condições para fixar população, assegurando que a valorização do património é acompanhada por oportunidades de desenvolvimento económico e social.
A sessão contou ainda com as boas-vindas de Rafael Gomes Amorim, Conselheiro da Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia, e terminou com um Porto de Honra, celebrando o Douro, a sua história, as suas comunidades e a sua projeção internacional.
A realização desta sessão em Bruxelas reforçou a dimensão europeia de uma classificação que, há 25 anos, reconheceu internacionalmente uma paisagem cultural única, mas serviu sobretudo para afirmar uma ambição para o futuro: preservar o Douro enquanto património vivo, competitivo e sustentável, capaz de criar oportunidades e garantir às novas gerações o direito de permanecer no território.
Fotografia: Tony da Silva
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