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Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, IP União Europeia

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O Comboio Histórico do Douro partiu, na manhã desta terça-feira, numa viagem especial pelas margens do Rio e da memória. A bordo seguiram mais de uma centena de convidados, representantes institucionais, autarcas, empresários, académicos e agentes do território. Mas transportou também algo menos visível e ainda mais importante: desafios, ambições e compromissos para o futuro do Douro.

No ano em que se assinalam os 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO, a viagem entre a Régua e o Pinhão transformou-se numa metáfora do próprio território: uma paisagem moldada pelo tempo, pelo trabalho das suas gentes e pela capacidade de ligar passado e futuro sem perder identidade.

Ao longo da Linha do Douro, entre socalcos de xisto e vinhas suspensas sobre o rio, recordou-se que foi precisamente a conjugação entre o rio e a ferrovia que abriu esta Região ao País e ao mundo, permitindo o transporte dos seus vinhos, aproximando comunidades e criando oportunidades de desenvolvimento.

Durante o momento institucional realizado na Régua, os intervenientes sublinharam a necessidade de transformar a celebração dos 25 anos da classificação UNESCO num exercício de reflexão estratégica sobre o futuro da região.


Património vivo exige território vivo

O Presidente da CCDR NORTE, Álvaro Santos, salientou que a classificação da UNESCO representa um reconhecimento internacional da capacidade das gerações durienses para construir uma das mais extraordinárias paisagens culturais do mundo.

"O Douro é um exemplo notável da capacidade humana para criar riqueza em harmonia com a natureza”, referiu. Sublinhando que o património mundial não é apenas uma herança a preservar, mas também uma responsabilidade coletiva, Álvaro Santos defendeu que a celebração dos 25 anos deve marcar o início de uma nova etapa.

 "Celebrar 25 anos de classificação não é apenas recordar o passado. É, sobretudo, renovar um compromisso com o futuro”, afirmou.


O responsável destacou que o grande desafio passa por assegurar que o Douro permanece um território de oportunidades, capaz de produzir riqueza, atrair investimento, promover inovação, fixar população e garantir qualidade de vida às comunidades locais.

Álvaro Santos reafirmou igualmente o papel da CCDR NORTE na gestão e salvaguarda do bem classificado e no apoio às políticas de desenvolvimento territorial, garantindo que continuará a trabalhar em estreita articulação com municípios, empresas e instituições da região.

Por sua vez, o Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, destacou que a preservação do património depende da vitalidade económica e social do território. "O património continuará vivo apenas se houver atividade económica capaz de sustentar as pessoas e cuidar do território. Esta viagem no Comboio Histórico recorda exatamente esta ligação: o rio e a ferrovia abriram o Douro ao país e ao mundo."

Recordando que a Linha do Douro nasceu para aproximar territórios, transportar produtos e criar oportunidades, o governante afirmou que continua hoje a ser um elemento fundamental da mobilidade, do turismo e da coesão territorial.

"Valorizar o Douro significa valorizar a vinha, a paisagem, a ferrovia, o turismo, o património, o conhecimento e a capacidade empreendedora das suas gentes" destacou. "Preservar o Douro não quer dizer imobilizá-lo. É preciso permitir que se desenvolva com regras claras, exigência e respeito pela sua identidade," acrescentou.

Nesse contexto, destacou o processo de elaboração do Livro Verde Douro 2050, classificando-o como uma oportunidade para construir uma visão partilhada para a região.

Resumindo os grandes objetivos para o futuro, deixou três compromissos centrais: "Preservar sem imobilizar, inovar sem descaracterizar e crescer sem deixar ninguém para trás."

Silvério Regalado aproveitou também para elogiar a escolha de Mário Ferreira como Comissário das Comemorações dos 25 Anos do Alto Douro Vinhateiro, destacando-o como "um grande empresário, com grande visão e capacidade empreendedora".

O Presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro, João Gonçalves, sublinhou que estas comemorações devem ser mais do que um momento de evocação histórica, constituindo uma oportunidade para refletir sobre o rumo da região nas próximas décadas. "O que nos importa, acima de tudo, é olhar para o território, ver os seus problemas e preparar o futuro", sublinhou.

Mário Ferreira, Comissário das Comemorações dos 25 Anos do Alto Douro Vinhateiro destacou que o Douro só terá futuro se for construído a partir do território e com as pessoas que lhe dão vida todos os dias. “Ouvir quem aqui vive, trabalha, investe e acredita nesta região é a melhor forma de respeitar a sua identidade e preparar os próximos 25 anos."


Professor Fontaínhas Fernandes anunciado como responsável pela Comissão Científica do Douro

Durante a sessão, O Presidente da CCDR NORTE anunciou o nome do Professor Fontaínhas Fernandes como responsável pela Comissão Científica do Douro, no âmbito das comemorações.

Professor catedrático da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Fontaínhas Fernandes é uma das personalidades mais relevantes na valorização académica e institucional do Douro Património Mundial. Preside atualmente à Liga dos Amigos do Douro Património Mundial e à Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, reunindo uma vasta experiência em planeamento, avaliação e desenvolvimento regional.

Refira-se que a viagem integrou o programa "Douro 2050 – Património Vivo, Futuro Sustentável", promovido pela CCDR NORTE, em parceria com a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial e a Comunidade Intermunicipal do Douro.

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