O NORTE 2030 vai lançar, até ao final de 2026, um novo aviso com uma dotação mínima de 25 milhões de euros, destinado a apoiar o investimento produtivo das empresas na área da defesa e da dupla utilização e a reforçar a capacidade da Região Norte para entrar em novas cadeias de valor.
O anúncio foi feito esta quarta-feira, 28 de outubro, em Guimarães, pelo Presidente da CCDR NORTE, Álvaro Santos, durante a abertura das Fibrenamics Ignite Sessions 2026, dedicadas ao tema “Dual-Use — inovação industrial para competitividade, proteção e resiliência”.
“O Norte tem razões para ser ambicioso, desde que saiba transformar essa ambição em trabalho conjunto, investimento e resultados”, afirmou Álvaro Santos.
O novo aviso, enquadrado no Objetivo Específico 1.7, pretende apoiar as empresas do Norte na qualificação da sua capacidade produtiva e na entrada em novas cadeias de valor, aproveitando competências já existentes em setores como os têxteis, vestuário, calçado, metalomecânica, materiais e engenharia.
Está igualmente previsto, até ao final do ano, um aviso destinado a Infraestruturas Tecnológicas no âmbito da STEP – Plataforma de Tecnologias Estratégicas para a Europa, reforçando a capacidade para desenvolver, testar e transferir tecnologias críticas para a indústria.
Para Álvaro Santos, a inovação de dupla utilização representa uma oportunidade para valorizar competências industriais já instaladas e encontrar novas aplicações, tanto nos mercados civis como nos domínios da defesa, segurança e proteção.
“A transformação económica do Norte passa, em grande medida, pela capacidade de incorporar mais conhecimento naquilo que sabemos produzir”, sublinhou.
Conhecimento e indústria para conquistar novos mercados
O Presidente da CCDR NORTE destacou a experiência industrial da Região como uma base relevante para desenvolver produtos de maior intensidade tecnológica e participar em cadeias de valor mais exigentes.
Materiais mais leves e resistentes, equipamentos de proteção, têxteis com novas funcionalidades e sistemas de monitorização de estruturas e equipamentos são exemplos de áreas em que as competências existentes podem encontrar novas aplicações.
Neste percurso, Álvaro Santos salientou a importância da cooperação entre empresas, universidades, centros de investigação e entidades de interface, em particular para as pequenas e médias empresas, através de projetos colaborativos, infraestruturas de ensaio e formação de consórcios.
Reconheceu também o papel da Fibrenamics na aproximação entre ciência e indústria, considerando essencial encurtar o caminho entre o conhecimento científico e a sua aplicação empresarial.
No domínio do financiamento, referiu ainda os avisos em curso no COMPETE 2030, orientados para a plataforma STEP, destinados a projetos de investigação, desenvolvimento e inovação empresarial e de inovação produtiva associados a tecnologias críticas e ao reforço das respetivas cadeias de valor.
O Presidente da CCDR NORTE desafiou, por isso, as empresas e os seus parceiros científicos e tecnológicos a prepararem projetos capazes de transformar as competências da Região em novos produtos, investimento industrial e maior capacidade competitiva.~
Inovação, competitividade e coesão
Olhando para o horizonte de 2040, Álvaro Santos defendeu uma Região capaz de desenvolver tecnologia, valorizar a engenharia, investir nas pessoas e transformar a sua experiência industrial em diferenciação.
“Uma Região onde a inovação se difunde pelo tecido empresarial e chega aos diferentes territórios, reforçando, simultaneamente, a competitividade e a coesão”, afirmou.
As Fibrenamics Ignite Sessions 2026, realizadas no Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, juntaram empresas, investigadores e representantes de entidades públicas e do ecossistema de inovação para analisar de que forma as competências nacionais em materiais, processos, engenharia e capacidade produtiva podem responder às novas necessidades dos mercados civis, da proteção e da defesa.
Na abertura da sessão, Raul Fangueiro, Presidente da Fibrenamics, destacou o papel da inovação e da colaboração entre ciência e indústria na valorização das competências existentes e na sua transformação em soluções para novos desafios e mercados.
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