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Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, IP União Europeia

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A Alfândega do Porto acolheu hoje o lançamento oficial das comemorações dos 25 anos da inscrição do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO. No centro da cerimónia esteve o anúncio do Livro Verde do Douro 2050, um exercício de reflexão estratégica e participação coletiva que vai mobilizar municípios, universidades, empresas, associações e comunidades locais na definição do futuro da região para as próximas décadas.

Álvaro Santos, Presidente da CCDR Norte, enquadrou a iniciativa como algo que transcende a efeméride: “O verdadeiro destino deste ciclo comemorativo não é uma data: é deixar o Douro mais bem preparado para o quarto de século que se segue.” O Presidente sublinhou que o Livro Verde será construído com o contributo de todos os atores do território — incluindo os mais jovens, que descreveu como “os viti-escultores do próximo quarto de século”. “Serão eles que vão herdar esta paisagem e que terão a responsabilidade de a conduzir para o futuro.”

Álvaro Santos identificou o desafio demográfico como prioridade central do exercício estratégico. “Quando uma aldeia perde habitantes, não perde apenas pessoas. Perde conhecimento, perde memória, perde identidade e perde capacidade de cuidar da paisagem”, afirmou. “Falar do futuro do Douro é, por isso, falar de pessoas.” O Presidente apelou ainda ao Ministro dos Negócios Estrangeiros para que “o Douro passe a viajar também nas pastas da nossa diplomacia”, reforçando a projeção internacional da região junto das instituições europeias e em novos mercados.

Paulo Rangel, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, reforçou a dimensão nacional e estratégica do compromisso: “O Douro não é apenas uma causa regional; é uma causa nacional absoluta. É um ativo estratégico da nossa diplomacia económica e cultural, e uma das maiores marcas de afirmação de Portugal no mundo.” O Ministro convocou a responsabilidade coletiva perante o património: “Durienses, portugueses, produtores e trabalhadores, autarcas e governantes, visitantes e turistas, teremos de estar à altura de milénios e de séculos de tradição.” Prestou ainda uma palavra especial a Miguel Cadilhe e a Luís Braga da Cruz pelo seu contributo no processo de candidatura.

O Comissário das comemorações, Mário Ferreira, comprometeu-se a exercer o mandato com abertura e espírito de união, ouvindo todos os atores e construindo consensos. “Temos o dever de transformar prestígio em desenvolvimento, notoriedade em oportunidade e património em futuro”, declarou, recordando que o maior património do Douro são as pessoas que o construíram ao longo dos séculos e que serão elas a construir os próximos vinte e cinco anos.

A sessão integrou uma mesa-redonda subordinada ao tema “Alto Douro Vinhateiro: 25 Anos de Património Mundial — Desafios e Futuro”, moderada por Diana Bouça-Nova, com a participação de António Fontaínhas Fernandes, Presidente da Liga dos Amigos do Douro Património Mundial, João Gonçalves, Presidente da CIM Douro e da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, Francisco Lopes, Presidente do Conselho Regional e da Câmara Municipal de Lamego, e Raquel Seabra, Administradora-Executiva da Sogrape. O debate percorreu os principais desafios estruturais da região — demográficos, climáticos e económicos — e convergiu numa visão comum: o futuro do Douro exige equilíbrio entre a preservação da autenticidade e a abertura à modernidade, numa região que só prospera se permanecer habitada, produtiva e confiante nas suas potencialidades.

A cerimónia incluiu ainda uma homenagem formal aos autores do dossier de candidatura que foi liderada pela Fundação Rei Afonso Henriques liderada à data do processo por Miguel Cadilhe e por Luís Braga da Cruz. O professor Fernando Bianchi de Aguiar foi o coordenador técnico do processo que incluiu ainda Gaspar Martins Pereira, Jorge Dias, Maria José Curado, Lúcia Maria Cardoso Rosas, Luís Ramos, Natália Fauvrelle, Paulo Farinha Marques, Pedro Sousa e Silva, Rodrigo Sarmento Beires, Rui Loza, Susana Pacheco Barros, Teresa Andresen e Teresa Soeiro. “Este é um momento de justiça e de memória” disse Álvaro Santos. “Estamos a homenagear quem acreditou que o Douro era muito mais do que uma paisagem — era uma obra coletiva, única no mundo, construída pela determinação das suas gentes.

O ciclo Douro 2050, promovido pela CCDR Norte em parceria com a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial e a Comunidade Intermunicipal do Douro, decorre sob o Alto Patrocínio do Presidente da República e prolonga-se até junho de 2027, quando o Livro Verde será apresentado publicamente. O Presidente da CCDR Norte foi claro quanto ao propósito do exercício: “Queremos identificar prioridades, discutir cenários e construir consensos em torno das grandes opções estratégicas para as próximas décadas.”

O calendário das comemorações prevê momentos marcantes ao longo de todo o ciclo: a 10 de setembro de 2026, o Dia do Vinho do Porto coincide com 270º aniversário da região demarcada; a 14 de dezembro de 2026 assinala-se a data exata do 25º aniversário da classificação da UNESCO, em maio de 2027, o Douro acolhe o Concours Mondial de Bruxelles, um dos mais prestigiados eventos mundiais do setor vitivinícola; e em junho de 2027 será apresentado publicamente o Livro Verde do Douro 2050.

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