A BRAVAL recebeu uma sessão de trabalho dedicada aos desafios da reciclagem e da gestão de resíduos urbanos na Região Norte, promovida em parceria com a Sociedade Ponto Verde, reunindo representantes do Governo, autarquias, entidades gestoras e responsáveis do setor ambiental.
Na abertura da sessão, a Vice-Presidente da CCDR NORTE para a área do Ambiente, Gabriela Leite, defendeu uma abordagem assente na proximidade ao território e na capacidade de execução para enfrentar os desafios que o setor atravessa.
“Os dados são indispensáveis, mas não contam tudo. É no terreno que percebemos a dimensão dos problemas, as diferenças entre sistemas e o impacto das decisões que tomamos”, afirmou, sublinhando a importância do contacto direto com as entidades responsáveis pela gestão de resíduos para identificar soluções eficazes e ajustadas às realidades locais.
A responsável lembrou que Portugal continua a encaminhar para aterro mais de metade dos resíduos urbanos produzidos, uma realidade particularmente relevante na Região Norte, que representa cerca de um terço da produção nacional de resíduos urbanos.
Perante este cenário, Gabriela Leite defendeu a necessidade de atuar simultaneamente em duas frentes: responder à pressão imediata sobre as infraestruturas existentes e acelerar a transformação estrutural dos modelos de recolha, separação e valorização de resíduos.
“A Estratégia TERRA+ definiu o rumo. Agora é tempo de escolher prioridades, decidir em tempo útil e executar”, afirmou.
A Vice-Presidente da CCDR NORTE destacou ainda o papel da instituição na articulação entre municípios, entidades intermunicipais, Agência Portuguesa do Ambiente, sistemas de gestão de resíduos e Governo, garantindo que os projetos considerados essenciais para a região avancem com rigor técnico, mas também com a rapidez exigida pelos desafios ambientais atuais.
A sessão contou ainda com intervenções do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Braga, Altino Bessa, Presidente do Conselho de Administração da Braval, Alexandra Roeger, CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais, Fundador do Greenfest, Pedro Norton de Matos, e do Secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves.
Investimentos reforçam capacidade da BRAVAL
Durante a sessão, a Presidente do Conselho de Administração da BRAVAL, Alexandra Roeger, apresentou os principais projetos que irão marcar o futuro imediato da empresa.
Entre os investimentos em curso destaca-se a criação de uma unidade de tratamento de biorresíduos, avaliada em cerca de quatro milhões de euros, destinada a acompanhar a evolução dos sistemas de recolha seletiva de resíduos orgânicos nos municípios servidos pela BRAVAL.
Foi igualmente apresentado o projeto de duplicação da capacidade da estação de triagem, num investimento estimado em oito milhões de euros, que permitirá aumentar significativamente a capacidade de separação e encaminhamento de materiais recicláveis.
Outro dos projetos estruturantes é a construção de um novo alvéolo no aterro do Ecoparque, representando um investimento de cerca de cinco milhões de euros. A infraestrutura permitirá assegurar capacidade de deposição para os próximos anos, enquanto decorre o esforço de redução da quantidade de resíduos encaminhados para aterro através do aumento da reciclagem e da valorização.
A BRAVAL anunciou ainda o lançamento do concurso público para uma nova estação de tratamento de lixiviados, solução que permitirá reutilizar a água tratada em diversas operações do Ecoparque, contribuindo para uma utilização mais eficiente dos recursos hídricos.
Rede Recicla+ aproxima reciclagem dos cidadãos
Na sua intervenção, Gabriela Leite valorizou também a Rede Recicla+, considerando que o sucesso da reciclagem depende da capacidade de aproximar os sistemas de recolha das populações.
“Não basta dizer às pessoas que devem separar mais. É preciso criar condições para que o possam fazer e garantir que esse esforço produz resultados”, afirmou.
A Vice-Presidente concluiu reafirmando o compromisso da CCDR NORTE em acompanhar os municípios e os sistemas de gestão de resíduos da região, assegurando que as políticas públicas produzam resultados concretos no território.
“Não podemos continuar a gerir este problema de emergência em emergência. Temos de criar capacidade para o presente e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência do aterro. É esse o trabalho que temos pela frente”, concluiu.
A sessão terminou com uma visita às instalações da BRAVAL, permitindo aos participantes conhecer de perto os investimentos em curso e os desafios operacionais associados à gestão de resíduos urbanos na Região Norte.
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