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Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, IP União Europeia

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O presidente da CCDR NORTE, Álvaro Santos, defendeu, esta terça-feira, que o principal desafio da Região Norte para a próxima década passa por reforçar a ligação entre o sistema científico e tecnológico e a economia real, transformando conhecimento, talento e inovação em mais produtividade, competitividade e criação de valor.

Na sessão de abertura dos UMinho Research & Innovation Open Days, que decorrem até 24 de setembro no Campus de Gualtar, em Braga, Álvaro Santos destacou a profunda transformação registada pelo Norte de Portugal nas últimas duas décadas, sublinhando os avanços alcançados na ciência, na qualificação da população e na modernização da economia.

O desafio da próxima década é fazer com que estas capacidades trabalhem melhor em conjunto”, afirmou o presidente da CCDR NORTE, defendendo uma maior aproximação entre universidades, centros de investigação, infraestruturas tecnológicas e empresas, como condição essencial para aumentar a produtividade e criar empregos mais qualificados e melhor remunerados.

Perante investigadores, empresários, estudantes e representantes institucionais, Álvaro Santos destacou que a Região Norte dispõe hoje de uma capacidade científica e tecnológica sem precedentes, refletida no crescimento do investimento em investigação e desenvolvimento (I&D), que passou de 0,6% do PIB regional em 2003 para 2,02% em 2024, superando a média nacional. Atualmente, cerca de 1,7 mil milhões de euros são investidos anualmente em I&D na região, sendo dois terços desse montante assegurados pelas empresas.

O responsável assinalou igualmente o papel de infraestruturas de excelência, como o supercomputador Deucalion, instalado na Universidade do Minho, que posiciona a região num lugar de destaque perante os desafios e oportunidades associados à inteligência artificial.

Talento mais qualificado, mas com novos desafios

Na sua intervenção, Álvaro Santos abordou também a evolução dos indicadores de educação e qualificação, recordando que a proporção de jovens com ensino secundário completo mais do que duplicou nas últimas duas décadas, enquanto a percentagem de jovens adultos com formação superior praticamente triplicou.

Apesar destes progressos, alertou para a necessidade de criar mais oportunidades profissionais capazes de reter talento na região.

“Não basta formar. Temos de criar condições para que esse talento encontre no Norte oportunidades compatíveis com as suas qualificações e aspirações”, afirmou.

Economia mais tecnológica e orientada para o valor

O presidente da CCDR NORTE destacou ainda a robustez da economia regional, responsável por cerca de um terço das exportações nacionais de bens, que atingiram 26,7 mil milhões de euros em 2025.

Segundo Álvaro Santos, por detrás da estabilidade do valor global das exportações está uma transformação estrutural relevante, marcada pelo crescimento dos setores de maior intensidade tecnológica. Em 2025, as exportações de máquinas e aparelhos elétricos cresceram cerca de 13% e as de equipamentos mecânicos aumentaram 14%, enquanto, no primeiro trimestre de 2026, as exportações de bens de capital avançaram mais de 31%.

“Está em curso uma recomposição da nossa estrutura exportadora, com um reforço do peso de produtos tecnologicamente mais exigentes e de maior intensidade de conhecimento”, salientou.

NORTE 2030 e NORTE 2040 focados na transferência de conhecimento

Álvaro Santos sublinhou ainda que a CCDR NORTE e o Programa Regional NORTE 2030 estão empenhados em promover uma ligação cada vez mais forte entre investigação e atividade económica, através do apoio a redes de inovação, projetos colaborativos, iniciativas de demonstração tecnológica e parcerias estruturadas entre instituições científicas e empresas.

Esta visão, acrescentou, será igualmente uma das bases da futura Estratégia NORTE 2040.

“Precisamos de aproximar o talento das empresas, o conhecimento da produção e a tecnologia dos mercados. É dessa ligação que nascerá uma economia regional mais produtiva, mais tecnológica, mais internacionalizada e capaz de criar mais valor”, afirmou.

Universidade do Minho abre a inovação à sociedade

Promovidos pela Universidade do Minho, os Research & Innovation Open Days pretendem afirmar a investigação, a inovação e a valorização do conhecimento como motores do desenvolvimento económico e social.

A iniciativa reúne investigadores, empresas, entidades públicas, investidores e decisores políticos para três dias de debate, partilha de experiências e promoção de novas oportunidades de colaboração.

O programa inclui ainda uma Mostra Tecnológica da Universidade do Minho, dedicada à apresentação de tecnologias, protótipos e soluções inovadoras desenvolvidas no âmbito de projetos de investigação, muitos dos quais realizados em parceria com empresas e outras organizações. Entre os destaques encontram-se resultados alcançados no âmbito das Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), evidenciando a capacidade da academia para transformar conhecimento científico em inovação com impacto económico e social.

A sessão de abertura contou também com as intervenções do Presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, do Reitor da Universidade do Minho, Pedro Arezes e do pró-reitor para a Inovação, Empreendedorismo e Transferência de Conhecimento, Raúl Fangueiro.


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