As tecnologias de defesa e digitais, a transição verde e a biotecnologia são as novas áreas prioritárias da Região Norte para reforçar a inovação até 2030. Esta foi uma das conclusões anunciadas, esta sexta-feira, na reunião do Conselho Regional de Inovação do Norte (CRIN), realizada no Forum Braga, no âmbito das Semanas da Economia de Braga.
As novas apostas resultam da reprogramação do NORTE 2030 e da evolução da Estratégia Regional de Especialização Inteligente (S3 NORTE), que mobiliza cerca de mil milhões de euros para inovação na região.
A sessão contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, e reuniu cerca de 50 entidades do ecossistema regional de inovação, incluindo parceiros económicos e sociais, instituições científicas e de ensino superior, entidades públicas, organizações regionais e representantes das Plataformas Regionais de Especialização Inteligente.
O CRIN é o principal órgão consultivo da Estratégia Regional de Especialização Inteligente do Norte 2021-2027 (S3 NORTE 2027) e desempenha um papel central na definição, acompanhamento e avaliação da política de inovação à escala regional.
Na sessão de abertura, o presidente da CCDR NORTE e do CRIN, Álvaro Santos, sublinhou que “a S3 NORTE constitui o principal referencial para orientar os investimentos públicos e privados em investigação e inovação”, defendendo a necessidade de reforçar a articulação entre o sistema científico e o tecido empresarial e de garantir “uma governação eficaz como condição essencial para o acesso ao financiamento europeu”.
Na reunião foi efetuado um balanço dos investimentos aprovados de I&D no Norte. Neste âmbito e considerando apenas as tipologias com impacto mais direto em I&D, constata-se que se encontram aprovados mais de 2.1 mil milhões de euros de investimento total no Norte, repartidos entre Portugal 2030 (458 M€) e PRR (1680 M€).
No caso do PRR 2021/2026 as agendas e alianças mobilizadoras concentram cerca de 90% do investimento, com projetos de grande dimensão como o New Space Portugal (358 M€), a Agenda Aero-NEXT (153 M€) e a Be Neutral – Agenda de Mobilidade para a Neutralidade Carbónica nas Cidades (106 M€).
No Portugal 2030, existe uma repartição equilibrada do investimento aprovado entre NORTE2030 (51,7%)e COMPETE2030 (48,3%), com expressão maioritária (62%) no investimento empresarial (SI&DT). Nos maiores projetos apoiados pelo NORTE2030 merecem destaque diversas infraestruturas tecnológicas (por exemplo, BIO-MedTech Hub, TecFab, ou o GrowMinho Industry do Centro de Apoio à Indústria Metalomecânica) ou ainda os Projetos integrados de I&D nas áreas da saúde, do mar e da cadeia da vinha e do vinho, em consórcios regionais NUTS II liderados pelas Universidades do Minho, do Porto e de Trás os Montes, respetivamente.
A reprogramação 2025 do NORTE 2030 permitirá ainda a mobilização de 75 M€ para novas prioridades em I&D, repartidos entre a iniciativa STEP de apoio a Tecnologias Estratégicas para a Europa (25 milhões) e Resiliência Industrial e Tecnologias de Duplo Uso (50 milhões), estando previsto o lançamento de novos avisos ainda este ano.
Álvaro Santos destacou ainda o papel do CRIN, afirmando que “é o principal espaço de mobilização dos atores do sistema regional de inovação e de definição das prioridades estratégicas da Região”, num contexto “particularmente exigente do ponto de vista geopolítico, tecnológico e económico”.
A reunião permitiu ainda fazer o balanço do trabalho desenvolvido na implementação da S3 NORTE 2027, instrumento que orienta as políticas e os investimentos em investigação, desenvolvimento e inovação na Região Norte. Foi também sublinhada a importância deste modelo de governação para assegurar o cumprimento da condição habilitadora do Programa Regional NORTE 2030 associada à boa governação da estratégia de especialização inteligente.
Durante os trabalhos, foi apresentado o estudo de atualização do desempenho inovador da Região Norte. Os resultados indicam que o Norte permanece no grupo dos “Inovadores Moderados” no contexto europeu, com progressos recentes que apontam para uma convergência com a média da União Europeia, embora persistam desafios significativos ao nível da produtividade, da valorização económica do conhecimento e da difusão da inovação no tecido empresarial.
Um dos momentos marcantes da sessão foi a cerimónia de entrega dos prémios do concurso de teses de mestrado e doutoramento sobre política regional de inovação e estratégias de especialização inteligente, uma iniciativa pioneira da CCDR Norte que visa aproximar o conhecimento científico da formulação de políticas públicas. Foram distinguidas Carla Andreia Correia Gonçalves (doutoramento) e Raquel Maia Morgado e Ana Margarida Pereira Alves (mestrado), reconhecendo o contributo das suas investigações para o aprofundamento destas áreas.
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